Impossível resolver em dois anos privações acumuladas na saúde.

O Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou, esta terça-feira, dia 19 de junho, ser impossível resolver em dois anos os problemas acumulados no sector e questionou como se sentiriam os hospitais em 2012 se agora estão «à beira de um ataque de nervos».

Adalberto Campos Fernandes falava aos jornalistas no final da apresentação, em Lisboa, do relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, que indica que os hospitais públicos ainda não saíram da crise económica e estão «à beira de um ataque de nervos».

«Os cidadãos sabem que não passámos de dificuldades para o país das maravilhas. Há ainda dificuldades. Mas imagine o que seria em 2012, com menos oito mil profissionais, menos 700 milhões de euros de transferências correntes, menos mil milhões de euros de capital estatutário [de reforço nos hospitais públicos]», afirmou.

O governante vincou que o Governo «sempre tem dito» que está a trabalhar «ao ritmo que o país permite».

«Nós gostaríamos de resolver em dois anos os problemas acumulados há oito ou nove anos, mas não conseguimos, é impossível. Estamos a fazê-lo, com prudência», declarou.

O Ministro da Saúde recordou, durante a apresentação do relatório, que Portugal viveu «quatro a cinco anos de privação extrema e humilhante para a soberania nacional» e considerou «insensato» julgar-se que em dois anos seria possível «repor os défices de investimento que se acumularam» durante vários anos, estimando que sejam precisos entre seis ou sete anos de trabalho no sector da saúde.

Questionado pela Lusa, Adalberto Campos Fernandes admitiu que as críticas feitas sobre o sector estejam relacionadas com a expectativa que se criou com o atual Governo, em funções há mais de dois anos.

«Quando se faz política pensando no curto prazo não se serve o país. É preferível que os governos tenham ciclos de menos popularidade e até de alguma incompreensão, mas que fixem o seu pensamento no médio e longo prazo», disse.

SNS estava melhor em 2017 do que em 2016 e 2015

O Ministro da Saúde aludiu ainda ao relatório sobre o acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2017 para sublinhar que «o SNS estava melhor em 2017 do que em 2016 e 2015».

Mais profissionais, mais acesso ao medicamento, mais cirurgias e consultas e «a maior vaga de investimento em curso» é o cenário traçado por Adalberto Campos Fernandes em relação aos dois anos de governação.

Sobre o Relatório Primavera de 2018 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, o Ministro da Saúde considerou-o «não uma fotografia, mas um filme», entendendo que quando se analisa a fotografia do sector é preciso ver como estava há dois, três ou quatro anos.

Ainda assim, saudou o documento, sobretudo por «ter uma aproximação científica aos problemas», e considerou mesmo que é um relatório «que apetece ler».

O Relatório Primavera 2018 foi divulgado esta terça-feira, 19 de junho, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian.

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde é constituído por uma rede de investigadores e instituições académicas dedicadas ao estudo dos sistemas de saúde e produz anualmente um documento síntese da evolução do sistema de saúde português.

O Relatório Primavera tem como finalidade proporcionar, a todos aqueles que podem influenciar a saúde em Portugal, uma análise precisa, periódica e independente da evolução do sistema de saúde português e dos fatores que a determinam.

Fonte: Lusa

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