Mais esperança de vida, mas tabaco, álcool e obesidade preocupam.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou esta quarta-feira, dia 12 de setembro, o European Health Report 2018: More than numbers – evidence for all (Relatório Europeu de Saúde 2018 – Mais do que números – evidência para todos).

O documento destaca a continuação do aumento da esperança de vida na região europeia, a redução da mortalidade prematura e o facto de alguns países europeus registarem os maiores níveis de «satisfação com a vida».

No entanto, o relatório alerta para a «incapacidade de travar ou reverter substancialmente os efeitos negativos do tabagismo, do consumo de álcool, do excesso de peso e obesidade, e as baixas taxas de vacinação, que constituem causas para uma preocupação real».

Na região europeia, as pessoas vivem em média mais um ano do que viviam há cinco anos, mas há ainda 11,5 anos de diferença entre os países com a maior e a menor esperança de vida.

O relatório destaca os progressos alcançados na redução das mortes por todas as causas, em todas as idades, desde o início do milénio, com uma redução de cerca de 25% em 15 anos. «Globalmente, a Europa está a ultrapassar o objetivo de reduzir as mortes prematuras pelas quatro principais doenças não transmissíveis (doenças cardiovasculares, cancro, diabetes mellitus e doenças respiratórias crónicas) em 1,5% anualmente até 2020», com os últimos dados a apontar para uma descida, em média, de 2% por ano.

Contudo, «os fatores relacionados ao estilo de vida que afetam a mortalidade por estas causas permanecem uma grande preocupação e podem retardar ou mesmo reverter os ganhos na esperança de vida se não forem controlados».

«As taxas de tabagismo são as mais altas do mundo, com uma em cada três pessoas com mais de 15 anos a fumar», o consumo de álcool em adultos é «o mais alto do mundo» e mais de metade da população tem peso a mais.

Por outro lado, se «as taxas de vacinação das crianças estão, em geral, a melhorar em toda a Europa», os recentes surtos de sarampo e rubéola em alguns países «estão a comprometer a capacidade da região de eliminar estas doenças», adverte o relatório.

Portugal tem bons indicadores na redução da mortalidade prematura, na esperança de vida à nascença e na vacinação, mas quanto ao excesso de peso e ao consumo de álcool os indicadores não são tão positivos.

Grande parte dos dados são referentes a 2014 e 2015, mas Portugal situa-se acima da média dos 53 países da região europeia da OMS quanto à esperança de vida à nascença, com 81,39 anos em 2014, quando a média da região se situava nos 77,83.

Quanto à redução da mortalidade prematura, Portugal apresenta uma taxa menor do que a média dos 53 países analisado. Em Portugal, o rácio era de 32,5 mortes prematuras por 100 mil habitantes, enquanto a média era de 49,93, segundo dados de 2014.

No consumo de tabaco, Portugal apresenta uma prevalência de 22,6%, menor do que os quase 30% da média da região, de acordo com dados de 2013. No que respeita ao consumo de álcool, Portugal está acima da média dos 53 países. Quanto ao excesso de peso, Portugal mostra-se alinhado com a média, com uma prevalência de excesso de peso superior a 57%, segundo dados de 2016.

O Relatório Europeu de Saúde, publicado a cada três anos, analisa as tendências significativas na saúde pública e os comportamentos sociais que impulsionam a saúde e o bem-estar em toda a região europeia, abrangendo 53 países e 800 milhões de pessoas.

«A maioria dos países europeus está a demonstrar um verdadeiro empenho em melhorar a saúde das suas populações, definindo metas, adotando estratégias e medindo progressos», salienta o documento, lançado dias antes da reunião anual do Comité Regional da OMS para a Europa, que decorre entre 17 e 20 de setembro em Roma, Itália.

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